O Decreto-Lei n.º 162/2019, de 25 de outubro, define o regime jurídico das Unidades de Produção para Autoconsumo (UPAC) e das Unidades de Pequena Produção (UPP). Este diploma estabelece como se produz, consome, injeta e comercializa energia elétrica em Portugal a partir de sistemas fotovoltaicos e outras tecnologias renováveis.
Este guia completo da Hortavolt foi atualizado para fornecer informação prática, técnica e totalmente alinhada com as necessidades de instaladores, consumidores e empresas. Aqui encontra tudo: regras legais, dimensionamento, registo, segurança, requisitos RTIEBT e compensação de excedentes.
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👉 Consultar Decreto-Lei n.º 162/2019, de 25 de outubro (Diário da República):
📘 1. O que é o Decreto-Lei 162/2019?
O Decreto-Lei 162/2019 regula:
- Instalação e exploração de unidades de produção
- Regras de autoconsumo individual e coletivo
- Venda de excedentes
- Condições de ligação à rede
- Procedimentos administrativos simplificados
- Deveres do produtor e regras de segurança
É o documento central para quem pretende instalar um sistema de autoconsumo fotovoltaico em Portugal.
Se está agora a iniciar o tema do autoconsumo, recomendamos também o nosso artigo complementar:
📌 Autoconsumo – Produza a Sua Própria Energia
🔌 2. Objetivos principais
O decreto pretende:
- Facilitar a adoção de energias renováveis
- Promover a produção local
- Reduzir burocracias
- Aumentar a independência energética
- Incentivar comunidades de energia
- Garantir segurança e cumprimento das RTIEBT
🔍 3. O que é uma UPAC?
A UPAC destina-se a produzir energia para consumo direto no local. Pode incluir:
- Painéis fotovoltaicos
- Aerogeradores
- Sistema híbrido com baterias
- Microgeração para autoconsumo
O excedente pode ser injetado na rede, com ou sem remuneração, conforme o contrato com o comercializador.
Para compreender o funcionamento técnico da ligação elétrica, pode consultar:
📌 Esquemas TT, TN e IT – Como escolher o certo para a sua instalação
🌞 4. O que é uma UPP?
A UPP (Unidade de Pequena Produção) tem como objetivo principal a venda da totalidade da energia gerada. É menos utilizada hoje em dia devido ao decréscimo de tarifas bonificadas.
🆚 5. Diferenças entre UPAC e UPP
| Característica | UPAC | UPP |
|---|---|---|
| Energia produzida | Consumo local | Venda total |
| Excedentes | Podem ser vendidos | Vendidos na totalidade |
| Objetivo | Reduzir fatura | Produção comercial |
| Regime | Simplificado | Mais exigente |
| Popularidade | Muito elevada | Reduzida |
⚙️ 6. Limites de potência
O decreto estabelece:
UPAC até 30 kW
- Regime simplificado
- Sem licença
- Apenas registo simplificado (se necessário)
- Adequado a habitações e pequenas empresas
UPAC 30 kW a 1 MW
- Requer comunicação prévia
- Maior controlo técnico
Acima de 1 MW
- Sujeito a exigências adicionais
- Pouco comum em instalações privadas
📜 7. Registo no SERUP — Quando é obrigatório?
É obrigatório quando:
- Existe injeção de excedentes
- A UPAC tem potência instalada superior à potência contratada
- A potência ultrapassa 30 kW
- Há autoconsumo coletivo
- Existem baterias com interação dinâmica com a rede
Não é obrigatório quando:
- Não há injeção
- A potência instalada é igual ou inferior à contratada
- Sistema residencial básico
🛠️ 8. Regras técnicas obrigatórias (RTIEBT)
Todas as UPAC devem cumprir as Regras Técnicas das Instalações Elétricas de Baixa Tensão (RTIEBT).
Estas regras garantem:
- Proteção contra contatos diretos e indiretos
- Proteções AC/DC adequadas
- Seccionamento
- Proteção contra sobretensões
- Conformidade dos inversores e anti-ilhamento
Para consulta detalhada das RTIEBT, recomendamos o nosso artigo completo:
📌 Regras Técnicas das Instalações Elétricas de Baixa Tensão (RTIEBT)
🧲 9. Injeção na rede
O excedente de energia é:
- Medido pelo contador bidirecional
- Enviado à rede
- Remunerado conforme contrato (opcional)
O objetivo principal da UPAC continua a ser maximizar o autoconsumo direto.
💶 10. Compensação de energia (venda de excedentes)
A venda de excedentes depende:
- Do comercializador
- Da tarifa contratada
- Das condições do mercado
- Do tipo de ligação da UPAC
O ganho principal está na redução da fatura elétrica, não na venda.
⚡ 11. Obrigações do produtor segundo o Decreto-Lei
Incluem:
- Executar a instalação de acordo com RTIEBT
- Utilizar equipamento certificado
- Garantir manutenção
- Assegurar segurança da instalação
- Garantir inversores com anti-ilhamento
- Comunicar alterações no SERUP
Para conferir condições de proteção, ligação e equipotencialidade, recomendamos:
📌 Como Medir a Resistência de Terra Corretamente – Passo a Passo
🏡 12. Autoconsumo coletivo e Comunidades de Energia
O Decreto-Lei 162/2019 define dois modelos avançados:
Autoconsumo coletivo
Partilha entre vários consumidores numa mesma instalação.
Comunidades de Energia
Modelo mais flexível, permitindo partilha por vários utilizadores, edifícios ou bairros.
🔋 13. Baterias e armazenamento
O armazenamento é permitido e cada vez mais comum.
As baterias aumentam:
- Autonomia
- Poupança
- Uso de energia solar à noite
- Estabilidade do sistema
A legislação é simples nos casos residenciais, mas deve ser respeitada a RTIEBT.
📈 14. Exemplos práticos
Habitação T3
Consumo: 4.600 kWh/ano
UPAC ideal: 3,6 kW a 4,5 kW
Regime: simplificado
Empresa
Consumo: elevado durante o dia
UPAC recomendada: 20 kW – 30 kW
Retorno: 3 a 5 anos
🧾 15. Documentos necessários
Dependendo da instalação:
- Declaração de responsabilidade
- Certificados dos equipamentos
- Esquema unifilar
- Registo no SERUP
- Dados técnicos do inversor
- Memória descritiva (se aplicável)
📚 16. Após a instalação
Depois da UPAC ser instalada:
- O contador é parametrizado
- O sistema entra em funcionamento imediato
- Os excedentes começam a ser registados
- A monitorização fica ativa no inversor/app
Para uma instalação com quadro adequado, consulte:
📌 Como Escolher o Quadro Elétrico Certo – Guia Técnico para Profissionais
❓ 17. Perguntas Frequentes (FAQ)
É obrigatório vender os excedentes?
Não. A venda é opcional.
Preciso de contador bidirecional?
Sim, quando existe injeção.
Posso instalar sem baterias?
Sim. As baterias são opcionais.
Posso limitar a injeção a zero?
Sim, através de configuração do inversor.
Sou obrigado a registar?
Depende da potência e da existência de injeção.
📞 Conclusão – A Hortavolt está ao seu lado no autoconsumo
A Hortavolt acompanha clientes particulares e empresas na escolha, planeamento e fornecimento de componentes para sistemas de autoconsumo, cumprindo o Decreto-Lei 162/2019 e as RTIEBT.
Fornecemos material elétrico profissional, apoio técnico e aconselhamento especializado.
Hortavolt – Profissionais escolhem profissionais.
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